No Carnaval de 1900, cerca de 100
agremiações desfilaram no Carnaval do Recife, segundo o jornalista
Severino Barbosa. A essa altura, era grande a frevança, o frevedouro
estava prestes a ser batizado.
Era o frevo já presente nas ruas do Recife, cristalizando-se no compasso
binário das marchas carnavalescas de então, trazendo de arrastão a onda
efervescente e o improviso de foliões em complicados passos, germinando
o que seria o Frevo dança e o Frevo música.
O pesquisador Evandro Rabelo afirmou em artigo, que em 9 de fevereiro de
1907, o Clube Empalhadores do Feitosa, noticiara no Jornal Pequeno o
seu ensaio geral, publicando também o repertório de marchas
carnavalescas com os seguintes títulos: Amorosa, O Sol, O Frevo, entre outras. Isso veio comprovar o que dizem os estudiosos a respeito do vocábulo Frevo, afirmando já estar ele presente em meio aos clubes carnavalescos.
O jornalista Osvaldo Almeida que se assinava no Jornal Pequeno sob o pseudônimo de Paula Judeu e Pierrot, a palavra Frevo
teria sido inventada por ele próprio e lançada em sua coluna em 12 de
fevereiro, do Carnaval de 1908. Afirma ele que, logo depois, caiu no
gosto popular e foi pelo povo adotada.
Em 22 de fevereiro do ano seguinte, o mesmo Jornal Pequeno traz em sua
primeira página uma gravura de autor desconhecido com a frase: Olha o Frevo!, a qual se tornou uma exclamação de entusiasmo na boca do povo e essa motivação expressiva permanece até os dias atuais.
Ao que se refere ao surgimento do Frevo, enquanto música e dança, o
jornalista Rui Duarte tem algumas opiniões sugestivas e lúcidas sobre o
seu surgimento na história do Carnaval pernambucano. No seu livro
História Social do Frevo, Rui Duarte afirma: O frevo surgiu espontaneamente, sem qualquer semelhança com as outras músicas e danças brasileiras. Ele afirma, ainda, que o frevo não é dança dramática, não é folk-music, não tem parentesco com pretos, índios ou portugueses.
Cabe a nós o questionamento, como surgiu, então, o frevo?
Em meados do Século XIX, com a proibição do Entrudo, remanescente da
folia portuguesa, o Brasil parecia ter perdido sua festa máxima. Em
1855, carnavalescos de todo o Brasil, interessados na manutenção daquela
manifestação, promoveram o que veio a se chamar Congresso das Sumidades Carnavalescas.
Dois anos depois, após várias sessões, de discussão sobre idéias
divergentes, de teses inflamadas e de acurados trabalhos, chegou-se à
conclusão de que o Carnaval brasileiro teria as características do
carnaval europeu, que vinha dando certo e que não haveria
contra-indicação para o seu transplante.
